“Nunca recebi uma proposta até agora; fico imaginando como será”, disse a franca e ponderada voz da mais jovem Miss Tristram; e Phyllis e Rosamond sentiram que deveriam expor suas experiências para instrução do grupo. Mas, nesse caso, não poderiam adotar aquele novo e estranho prisma; as suas experiências, antes de mais nada, eram de natureza bem distinta. Para elas, o amor era induzido por certas ações calculadas; e era alimentado em salões de baile, em perfumados jardins-de-inverno, por olhares significativos, movimentos rápidos do leque e sugestivas hesitações no modo de falar. O amor, nesse caso, era um sentimento forte e ingênuo que se expunha à luz do dia, nu e sólido, para ser aberto e analisado à vontade. Mesmo que fossem livres para amar à sua escolha, Phyllis e Rosamond tinham muitas dúvidas de que fossem capazes de amar de tal maneira. Com o rápido impulso da juventude elas se condenaram sem apelação e ficaram certas de que quaisquer esforços de libertação seriam inúteis; o longo cativeiro as corrompera por dentro e por fora.
(Objetos Sólidos, "Phyllis e Rosamond". Virgínia Woolf)