segunda-feira, 25 de julho de 2011

Overthinking

Há muito tempo não posto uma coisa que se preste a valor algum por aqui. Não é por falta de tempo. Não é por falta de ideias. Acontece que frequentemente passo por períodos de infertilidade social e interativa, se é que fica bem entendido o sentido real de minha abstenência... blóguica, digamos, por estes termos. Desta forma, se torna quase um transtorno ter de me prestar a expor aqui algo de expressivo que esteja porventura atravessando o meu espírito e fazendo-lhe alguma cócega, devido ao fato de eu não estar, então, muito inclinado às sutilezas da alteridade. Alone!

Mas o motivo desta postagem não é encher vossos sacos como o fiz até a última linha com chorumelas. Estou aqui para compartilhar com vocês (tem alguém aí?) um fragmento do que me apraz em termos musicais, além de um vídeo muito interessante. Não é novidade nenhuma, para quem me conhece minimamente, que eu sou completamente apaixonado por uma banda estadunidense de rock progressivo chamada Tool. Não sou fanático, não tenho adereços (ok, só uma camisa na qual eu mesmo pintei o nome da banda) nem saio espalhando por aí que são meus artistas preferidos em termos musicais (por vezes, são mesmo). Porém, me identifico muito com as melodias e, principalmente, as letras de suas músicas. A destreza, o perfeccionismo por parte dos integrantes, e o requinte com que os arranjos são compostos e executados e a profundidade (eis um termo relativo) e a violência existencial das letras são para mim como quadros em movimento, que geram um fluxo de pensamentos e ideias de sanidade e catarse que tangem o inexprimível e vão além do que é óbvio. Além do que é dito. Isso é o que me faz admirá-los como artistas. Meus neurotransmissores estão de prova. Por isso, quis compartilhar este vídeo aqui.

A música é Lateralus, do album com o mesmo nome, de 2001. O vídeo não é oficial, mas têm as letras e é autoexplicativo, com as notas do autor. Ah, eis também a origem do título deste blog.


Você conhece a sequência de Fibonacci?

6 comentários:

Maraysa Carvalho disse...

Nunca tinha parado para ouvir Tool de verdade. Tampouco essa música. Mas fiquei maravilhada, a qualidade é incrível e a letra também, agora entendo porque vc gosta tanto deles.

Sempre admiro os artistas que acrescentam aos seus trabalhos algo além de simples vivências problemáticas. Adoro essas referências improváveis e imprevisíveis, que me fazem pesquisar, tentar entender, ou pelo menos procurar saber do que estão falando. Mais do que trazer um presente aos tímpanos, traz conhecimento. E conhecimento nunca é demais.

Obrigada, Ivens! =)

Maraysa Carvalho disse...

A propósito, muito generoso o autor desse vídeo, que se propôs a explicar o sentido da música, disponibilizou a letra e ainda acrescentou belas imagens do multiverso!

O mundo não está perdido.

Vigilius disse...

Faz muito sentido depois de levar na cara uma paulada da orgia do caos. Esse é um dos pequeno deleites e uma das pequenas e escassas razões da minha vida.
Depois procura sobre Alex Grey. É o artista que faz boa parte das imagens relacionadas ao trabalho do Tool. As pinturas dele são fantásticas, cheias de significados históricos e espirituais, sob um olhar "overthinker". :)

Maraysa Carvalho disse...

"...orgia do caos";
"pequenas e escassas razões da minha vida."

Comentários dignos de nota.

Vou procurar o Alex Grey, sim. Só vc para encontrar e trazer à superfície toda essa arte e beleza que não são facilmente avistadas. Por isso que sempre gosto de passar por aqui.

"Humm, vejamos o que o Ivens vai me apresentar agora."

=)

Maraysa Carvalho disse...

Meu Deus, Alex Grey é transcendental, adorei o trabalho dele!

Já salvei algumas aqui no meu computador. Você tem alguma preferida?

Eu amei a "Artist's Hand", todas aquelas criaturas ao redor do pincel, as implicações que a arte dele alcança, segue uma lógica muito particular. Tem toda uma aura espiritualista, nunca vi nada parecido.

Eis um artista muito especial, além de ser super charmosão com aqueles longos cabelos grisalhos.. haha. *-*

Valeu, Ivu!

Vigilius disse...

Sim, ele é muito charmoso mesmo, e a arte dele, mais ainda. Eu tenho várias preferências, mas posso destacar "One" e "Net of being". Cada pintura, se você perceber, tem muito mais informação do que uma rápida olhada pode revelar. Citei essas duas porque gosto de tons amarelo/laranja. Artist's Hand é muito boa também, uma verdadeira brainstorm. "Promise" eu acho muito macabra. Enfim. tantas considerações...