Braulio tinha estado preso, no cárcere de Villa Devoto, na Argentina, por andar com três livros: uma biografia de José Artigas, uns poemas de Antonio Machado, e O pequeno príncipe de Saint-Exupéry. Quando estavam a ponto de libertá-lo, um guarda tinha entrado em sua cela e perguntado:
-Você é o violeiro?
E tinha pisado em sua mão esquerda com a bota.
Ofereci a ele: vamos fazer uma entrevista. Essa história podia interessar à revista Triunfo, de Madri. Mas Braulio coçou a cabeça, pensou um pouco e me disse:
-Não.
E me explicou:
-Essa história da mão se resolve, cedo ou tarde ela fica boa. E então vou voltar a tocar e a cantar. Você entende? Eu não quero desconfiar dos aplausos."
Eduardo Galeano, O livro dos abraços.
2 comentários:
"Eu não quero desconfiar dos aplausos."
Quanta sabedoria!
Esse livro é meu xodó
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