domingo, 18 de agosto de 2013

Água gelada

Oi.

Com este texto, reinauguro o meu blog há muito abandonado e trancafiado nos confins do esquecimento digital em algum servidor obscuro do Google. Um blog que há muito teve sua fluidez e sua espontaneidade indeferidas por eventos e transformações na minha vida que, admito, ignoro como atuaram exatamente nesta interrupção. Tal não é novidade, já que tenho um bom histórico de abandono de blogs (pelo menos 3 vezes), com todos os textos deletados, tudo apagado, expurgado e incinerado na caldeira da mais pura insatisfação expressiva. No início, era o alívio absoluto: livrara-me de um peso inconsequente. Não havia, afinal, razão concreta para tanta conversa soprada assim, como que para ninguém, enquanto para qualquer um. Essa era uma verdade óbvia em si mesma. Depois, muito depois, vinha sempre a volta do cipó: o que será que havia escrito aqui? Era como se outra pessoa tivesse escrito algo com o qual eu me identificara, como que com uma pintura da qual eu poderia pensar que a autoria deveria ser minha, mas não era. "O que era, mesmo? Sobre o quê era? Gostaria de me ler no espelho mais uma vez. Agora é tarde." Já tinha apagado tudo, sem piedade nem remorso.

Deixe-se de lado por um momento a divagação metalinguística sobre blogs e insensatezes. À maneira dos jejuadores redimidos de suas penas, não pretendo neste texto inicial transgredir de uma vez todas as amarras de minha inércia compositiva, chocando-me assim com uma abundância de desenrolamentos que acabariam por me engolir vivo, temperado em minhas próprias inconsistências e desconexões textuais. Muito aconteceu desde que parei de escrever aqui. E muito do que aconteceu merece e será contado aqui. Não conviria compilar tudo como que numa espécie de periódico insosso. Pretendo, aos poucos, relatar minhas impressões, assim como outros fatos que eu considere relevantes para a experiência do compartilhamento de ideias. Já há muito tempo tenho intenção de retomar o costume de redigir conclusões de insights e impressões esparsos que venho a ter no cotidiano. No entanto, falta-me muita disciplina. Começo, com esse pequeno excerto de fluxo de consciência, a cultivá-la novamente, com outro viés, com outro olhar.

Não pretendo me desfazer do posts antigos deste blog. No entanto, deixarei boa parte deles oculta, como rascunho. Um dia, quem sabe, ao fazer menção de algum deles, volte a exibi-los, para servir de referência retrospectiva. A maioria, porém, permanece publicada.

Os antigos leitores, meus queridos amigos que agora estão longe da pele, ainda que latentes nas sinapses da anima, perceberão, talvez, mais do que eu, alguma mudança no estilo, na métrica, na graça, essas coisas. Eu, por mim, percebo claramente a frieza e a agudeza dos ângulos da quadradice com que eu me expresso agora. Entre forma e conteúdo, contudo, pretendo dar mais atenção a este último. Então, não faz muita diferença.

Parece, porém, que ainda restou alguma pieguice típica.

Enfim, à guiza de re-introdução, faço destas palavras as minhas re-boas-vindas. Espero que vocês aproveitem, e saiam das digressões aqui expostas mais perdidos do que quando entraram. Assim como eu.

5 comentários:

Nowhereland disse...

Histórico de abandono de blogs e ressurgimento das cinzas com nomes novos...

Maraysa Carvalho disse...

Faço muito gosto de te ver de volta. Rapaz, tua escrita merece um livro. Um não, vários. E eu compro tudim. Compro mesmo. u.u

Sam disse...

Essa vibe de blogs me lembra de uns bons tempos que eu queria muito que voltassem! Me identifiquei demais com o transtorno obsessivo ativa-blog-deleta-blog-cria-novo-blog... o meu Instinto tá lá, vez em quando eu penso em retomar, mas sei lá. Gosto muito de me ler ainda, fico como que tentando conhecer essa pessoa que eu estava sendo e, quem sabe, conseguir me entender melhor agora. É legal ainda se identificar com algumas coisas e perceber coisas que você conseguiu aprimorar em si. Ainda tenho um blog oculto, porque sempre sobram demônios pra expurgar... acho que é por isso que fico ainda com um certo receio de voltar, não quero usar um blog 'aberto ao público' como fosso, sabe. Acho que consigo fazer melhor. Enfim, quem sabe um dia! E eu adorei teu retorno, por isso que já estou digitando um comentário aqui há 9 horas. Saudades amiguxis! =)

Vigilius disse...

Mara: eu não estou à altura de suas lisonjas, baby. Obrigado.

Sam: é por isso que eu gosto das nossas vibes congruentes. Eu também adiei bastante o retorno por apreciar o ato de me re-analisar e de me podar. Ainda o faço muito. E o blog não é tão aberto assim: não aparece em sistemas de busca, e eu não escrevo para qualquer um. Procuro um ritmo de leitura próprio que só os realmente interessados encaram. Estou de acordo com a sua reserva, mas se pensar mesmo em retomar, eu apoio demais. Gostava muio daquela época que quase todos tinha lá um espaço onde publicavam suas coisas. E as tuas, então. Vish. Mas não vale forçar nada.

Sam disse...

Pois é, amigs! Eu acho que a fase do Instinto passou mesmo. Eu gosto muito dele, como eu disse, mas eu me sinto muito diferente agora pra tentar retomá-lo, seria meio que uma profanação.(Drama queen mode: off.)
Acho que quero voltar em breve, com meu novo bloguinho, assim que eu sentir que ele perdeu só mais um pouquinho da timidez. ^^

Enfim, fico aguardando novas postagens tuas. Mas no pressure over cappuccino, claro.